Uma gratidão especial — e uma curiosidade que me emociona como autor

Quero expressar minha profunda gratidão a cada leitor que escolhe confiar parte do seu tempo às minhas histórias. Em um mundo tão acelerado, saber que alguém abre um livro meu, atravessa suas páginas e permite que aquelas palavras façam parte de alguns momentos de sua vida é algo que jamais considero pequeno.

Tenho acompanhado, com alegria, um movimento particularmente especial: o crescimento de um público que procura minhas obras também em edições de capa dura, especialmente em países como Canadá, França, Itália e Espanha.

É uma curiosidade bonita observar como cada leitor estabelece uma relação diferente com o livro.

Há quem prefira a liberdade do e-book — imediato, prático, capaz de levar uma biblioteca inteira para qualquer lugar.

Há quem escolha a edição em brochura, pelo prazer insubstituível do papel, da página virada, do livro que acompanha viagens, noites silenciosas e momentos cotidianos.

E há leitores que procuram a capa dura não somente para ler, mas também para conservar. São pessoas que apreciam o livro como objeto afetivo, como parte de uma biblioteca pessoal, algo que pode permanecer na estante por muitos anos, ser presenteado e, quem sabe, atravessar gerações.

Perceber o crescimento desse público mais seletivo e colecionador em diferentes países tem um significado muito especial para mim. Não simplesmente pelo formato escolhido, mas pelo que essa escolha representa: o desejo de transformar uma história lida em algo que também se deseja guardar.

Talvez essa seja uma das maiores recompensas para quem escreve.

Meu compromisso, por isso, nunca termina na última frase de um manuscrito. Procuro aperfeiçoar cada obra em sua totalidade: a narrativa, a revisão, a tradução, a identidade visual, a capa e a apresentação de cada edição. Porque acredito que um livro começa a conversar com o leitor antes mesmo da primeira página.

Cada formato atende a uma maneira diferente de viver a literatura, e nenhum é menos importante. Seja por uma tela, por uma brochura marcada pelo tempo ou por uma edição de capa dura cuidadosamente colocada na estante, existe algo que permanece exatamente igual: a história e o encontro que ela estabelece com quem a lê.

Aos leitores do Brasil e de tantos outros lugares do mundo que vêm permitindo que minhas palavras atravessem fronteiras, idiomas e culturas, deixo minha mais sincera gratidão.

Vocês não estão simplesmente adquirindo meus livros.

Estão dando às minhas histórias um lugar em suas vidas — e, algumas vezes, um lugar especial em suas bibliotecas.

E para um escritor, poucas coisas poderiam ser mais bonitas.

Palavras que permanecem. Histórias que transformam.





“Escrevemos em silêncio, sem saber até onde nossas palavras chegarão. Quando fazemos algo por amor e propósito, deixamos de contar apenas resultados e começamos a reconhecer encontros. Então, um dia, um leitor — às vezes do outro lado do mundo — abre uma de nossas histórias e nos lembra de algo essencial: livros não atravessam apenas países e idiomas; atravessam silêncios, memórias e sentimentos. Há uma gratidão difícil de explicar quando percebemos que aquilo que nasceu dentro de nós encontrou significado na vida de alguém. Talvez essa seja a mais bonita recompensa de escrever: descobrir que uma história criada em silêncio encontrou um coração distante e, por algumas páginas, transformou a distância entre duas pessoas em um lugar de encontro. Porque, quando há amor no que fazemos e verdade no que entregamos, nenhuma palavra sincera termina na última página — ela permanece em algum lugar dentro de quem a leu.”

Por Roberto Ikeda autor 🙏🌿
Gratidão

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