Mediunidade: Quando a Vida Pede para Ser Ouvida

 

As primeiras manifestações da minha mediunidade aconteceram por volta dos seis anos de idade. Na época, sem qualquer conhecimento sobre o assunto e criado na fé católica, escolhi ignorar tudo o que vivenciava. Acreditava que, simplesmente não dando atenção, aquelas experiências desapareceriam com o tempo.

No entanto, aprendi que a mediunidade não desaparece porque é negada. Quando não é compreendida ou canalizada de alguma forma, chega um momento em que ela cobra sua atenção.

A primeira dessas cobranças aconteceu em uma fase muito feliz da minha vida. Eu trabalhava em um ambiente que apreciava profundamente (Toyota), cercado por pessoas especiais. Foi justamente nesse período que, durante algumas semanas, vivi experiências intensas que mudaram a minha forma de enxergar essa realidade.

Tive a felicidade de contar com a presença do meu querido amigo Maurício, que permaneceu ao meu lado em todos os momentos, oferecendo apoio, equilíbrio e amizade no Golfe de Arujá. Depois de muitas conversas, reflexões e visitas a diferentes templos budistas, dialogando com monges em busca de respostas, recuperei minha serenidade.

Alguns meses depois, veio a segunda cobrança. Novamente, foram semanas de grande intensidade. Dessa vez, encontrei amparo nas orações do meu pai e da irmã do meu amigo Zaqueu. A força da fé, o carinho e o apoio de pessoas que desejavam o meu bem foram fundamentais para que eu superasse aquele período.

A terceira cobrança nunca chegou a acontecer. Ao longo do caminho, porém, recebi diversos avisos de que ela ocorreria em plena Avenida Paulista. Felizmente, isso jamais se concretizou.

Durante toda essa trajetória, continuei resistindo à ideia de seguir qualquer doutrina ou religião. Sempre respeitei todos os caminhos espirituais, mas sentia que o meu deveria ser diferente. Foi então que compreendi que poderia colocar essa sensibilidade a serviço do próximo por meio da escrita, do diálogo e da partilha de experiências. Essa passou a ser a forma que encontrei para honrar aquilo que recebi, sem renunciar à minha liberdade de consciência.

Em uma dessas profundas reflexões, anos mais tarde, questionei a Deus como seria a minha vida dali em diante. Naquele instante, vieram exatamente as mesmas palavras que haviam surgido em meus pensamentos durante aqueles dias no Golfe de Arujá. Não eram palavras novas, mas a confirmação de uma mensagem que sempre esteve comigo:

"O Senhor é o meu pastor; nada me faltará."

Era o início do Salmo 23. Naquele momento, compreendi que Deus jamais havia me abandonado. Mesmo nos períodos de dúvida, medo e incompreensão, Sua presença sempre esteve ao meu lado, conduzindo meus passos com amor e paciência. Desde então, esse salmo passou a representar, para mim, muito mais do que uma oração. Tornou-se um lembrete permanente de confiança, proteção e esperança, recordando-me de que, por mais desafiadora que seja a caminhada, nunca estamos verdadeiramente sozinhos.

Essa é a minha realidade. Não a apresento como uma verdade absoluta, mas como a história que vivi. Cada pessoa percorre seu próprio caminho e encontra respostas de maneiras diferentes. Compartilho estas experiências apenas com a esperança de que possam oferecer conforto, reflexão ou esperança àqueles que, de alguma forma, também buscam compreender os caminhos da alma.

Hoje, olhando para trás, sinto apenas gratidão. Gratidão pelos desafios que fortaleceram minha fé, pelos aprendizados que transformaram minha maneira de enxergar a vida e por todas as pessoas que Deus colocou em meu caminho nos momentos em que mais precisei.

Por Roberto Ikeda 

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