Minha data...
Hoje, entre um ano e outro, percebi algo que talvez só o tempo seja capaz de ensinar.
Ontem, conversando com meu pai, algumas lembranças voltaram como pequenos flashes de eternidade. Instantes simples… quase imperceptíveis quando aconteceram. Risos antigos, palavras esquecidas, olhares, fases da vida que pareciam tão longas naquele tempo e que agora cabem dentro de um único suspiro da memória.
E então compreendi:
os aniversários não são apenas celebrações.
São portais de consciência.
Porque, a cada ano, não comemoramos somente a idade.
Comemoramos a travessia.
As dores que sobrevivemos.
Os sonhos que ainda carregamos.
As pessoas que caminharam conosco.
As ausências que ensinaram silêncio.
E as presenças que transformaram o mundo em um lugar mais humano.
O tempo é curioso.
Enquanto vivemos, acreditamos que ele está indo embora.
Mas talvez não.
Talvez ele esteja nos construindo.
Cada ano deixa marcas invisíveis na alma.
Algumas chamadas maturidade.
Outras, saudade.
Outras ainda, gratidão.
Hoje, no meu aniversário, não penso apenas no futuro.
Penso na imensidão dos caminhos que já existiram para que eu chegasse até aqui.
Em quantas versões de mim ficaram pelo caminho.
Em quantas vezes a vida me refez sem que eu percebesse.
E há algo profundamente bonito nisso:
crescer é descobrir que a vida não se mede apenas em anos…
mas em momentos que permanecem vivos dentro de nós.
Talvez seja por isso que certas conversas com nossos pais nos toquem tão profundamente.
Porque, por alguns instantes, enxergamos o tempo com o coração.
E percebemos que a verdadeira riqueza da vida nunca esteve na pressa, mas nos laços, nos encontros, nas memórias e no amor que atravessa os anos sem perder a essência.
Hoje, mais do que celebrar um aniversário, celebro o privilégio de ter vivido.
De ainda sentir.
De ainda sonhar.
De ainda poder olhar para trás com gratidão e para frente com esperança.
Porque no fim, talvez amadurecer seja exatamente isso:
entender que o tempo passa…
mas o amor, as lembranças e aquilo que tocou verdadeiramente nossa alma permanecem eternos dentro de nós.
Por Roberto Ikeda
Gratidão por mais uma data como essa.

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